Segundo
o comunicado do SEF “a operação “Fratello (irmão)" decorreu nas
zonas de Alcácer do Sal e de Beja e levou à identificação de 15 cidadãos
de nacionalidade estrangeira, oriundos do leste europeu, os quais viviam, na
sua maioria, sujeitos a condições degradantes no que diz respeito às condições
de trabalho, alojamento e salubridade. Trata-se de vítimas de exploração
laboral, na sua maioria do sexo masculino. Os cidadãos foram devidamente
sinalizadas como vítimas de tráfico de seres humanos, tendo sido
disponibilizado todo o apoio necessário. No terreno, estiveram também
presentes elementos da Rede de Apoio à Vítima, do Alentejo, de forma a garantir
o tratamento adequado das situações ali detectadas.”
O
documento adianta ainda que durante as buscas, foi apreendido diverso material
de prova da actividade criminosa, como dinheiro, telemóveis e computadores
portáteis, assim como 11 000 cigarros artesanais, agrupados em maços de 20, que
eram vendidos aos trabalhadores, cujo valor era deduzido dos salários.
O SEF acrescenta que “os cidadãos detidos, irmãos, também eles oriundos do
leste da Europa, recrutavam os trabalhadores a partir dos países de origem,
através do aliciamento por melhores condições de vida. Já em território
nacional as vítimas acabavam por ser exploradas em herdades agrícolas, na
preparação da campanha da azeitona. Muitos deles acabaram privados da respectiva
remuneração e com recurso a violência física.”
Trata-se de uma investigação delegada no SEF pelo Ministério Público de Évora,
com origem numa denúncia. No total, estiveram envolvidos 24 operacionais do
SEF.