Desde então a infraestrutura aeroportuária do Baixo Alentejo, que representou um investimento de 33 milhões de euros, que possui uma pista capaz de receber todo o tipo de aeronaves, incluindo o gigante dos ares, o Airbus A380, pouca ou nenhuma actividade tem tido, correndo actualmente o risco de perder o único investidor que tem, a Hi Fly, por falta de condições logísticas.
A companhia aérea Hi Fly utiliza o Aeroporto de Beja, desde 2016, para estacionar os seus aviões de média e longa duração.
Recorde-se que previsto está igualmente um projecto da AeroNeo, para instalação de uma unidade de desmantelamento de aviões em Beja, um investimento de 8 milhões de euros que iria criar 30 postos de trabalho, podendo este número ascender a 80, nos três ou quatro anos posteriores à sua entrada em funcionamento. Este projecto que se prevê que possa avançar até ao final deste ano, aguarda apenas por parte da ANA - Aeroportos de Portugal, a comunicação do investidor de que irá avançar, o que, até ao momento, ainda não aconteceu.
Nos 6 anos que decorreram após a sua inauguração, o Aeroporto de Beja, poucos passageiros recebeu, tendo surgido uma janela de oportunidade de desenvolvimento da infraestrutura, como uma possível alternativa ao Aeroporto de Lisboa, aquando das notícias que davam conta de que o principal aeroporto português estava com a sua capacidade esgotada. Na prática o Aeroporto de Beja nunca foi considerado para essa finalidade, tendo surgido entretanto o projecto que visa a instalação de um novo aeroporto no Montijo, continuando os 33 milhões de euros gastos em Beja a não ter qualquer rentabilidade, nem para o país, nem para a região.
Os autarcas e empresários do Baixo Alentejo consideram que a actividade do Aeroporto de Beja está aquém das expectativas, por falta de vontade política.
A Planície falou com os Deputados eleitos por Beja na Assembleia da República, para saber o que pensam sobre o futuro da infraestrutura aeroportuária do Baixo Alentejo.
Pedro do Carmo, Deputado socialista eleito por Beja na Assembleia da República, diz que este é um dia feliz na comemoração desse voo inaugural, no entanto considera que há que reconhecer que o Aeroporto de Beja não teve o desenvolvimentos esperado e não serve actualmente os interesses da região. Pedro do Carmo considera que o Aeroporto de Beja não é um aeroporto de passageiros, nem nunca o será. O Deputado afirma que o aeroporto baixo alentejano deverá ser visto sim como um aeroporto de mercadorias, escoamento de produtos e de exportação.
Nilza de Sena, Deputada do PSD, diz que 6 anos após o voo inaugural, continua a não haver concretizações. A Deputada diz que, numa altura em que já foi anunciado um novo terminal para 2019, o que espera do Governo é que este deixe de ser omisso relativamente a esta matéria e assuma um compromisso com o Baixo Alentejo e esclareça qual será o futuro do Aeroporto de Beja, numa perspectiva de alcance nacional.
A Planície tentou chegar à fala com João Ramos, Deputado do PCP eleito por Beja, para também saber o que pensa João Ramos sobre o futuro do Aeroporto de Beja, não tendo sido possível recolher essas declarações pelo facto do Deputado comunista se encontrar fora do país.